terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cada país é o reflexo das ações dos seus cidadãos

Já dizia Arnold Toynbee: “o maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam". Felizmente os brasileiros estão começando a mudar. O julgamento do Mensalão trouxe novo alento ao povo e despertou muitos para o assunto “política”. A condenação e subseqüente prisão dos membros do infame esquema que visava garantir a continuidade do projeto de poder do PT por meio da compra de suporte político de outros partidos e do financiamento das suas próprias campanhas eleitorais, é uma vitória espetacular para a democracia. Estão de parabéns os ministros e procuradores que se empenharam para que se fizesse justiça no escândalo político mais vergonhoso deste país, e todos devemos comemorar muito este momento tão especial. Como bem ressaltou o Presidente do Superior Tribunal Federal, Ministro Ayres Britto, "para além desse histórico ruim, acabrunhante, da nossa vida eleitoral, de eleitores de cabresto, que vendiam seus respectivos votos, temos neste caso da ação penal 470 (o mensalão) a figura ainda mais triste, mais lamentável, dos eleitos de cabresto, porque o parlamentar passa a praticar seus atos do ofício por um modo já antecipadamente acertado pecuniariamente. O parlamentar vendido,corrompido, trai a própria representação popular, além de corromper a sua função". Mais do que um sentimento de satisfação pelo “castigo” retribuído àqueles desonestos, devemos ter agora a esperança de que a cultura de corrupção que sempre nos caracterizou comece a sofrer um revés. A inédita punição dos envolvidos deverá, pela lógica, inibir a prática de atos ilícitos por outros (ou os mesmos) políticos e empresários,que passarão a pensar duas vezes antes de dar o primeiro passo. Um avanço ainda mais grandioso para a nação seria a conscientização do próprio eleitor quanto à importância do seu voto na formação do quadro de dirigentes políticos. Que a vontade de ter um país definitivamente limpo (ainda que utópico) prevaleça e quiçá nunca mais houvesse um eleitor de cabresto. Tomara também que a honestidade passasse a ser a marca dos brasileiros. Afinal, cada país é o reflexo das ações de seus cidadãos. Queremos melhoras? Sejamos melhores individualmente primeiro.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Memorial "Trajetória da Minha Vida"

1- Introdução Filha primogênita de uma família de trabalhadores de uma pequena cidade interiorana do Estado de São Paulo, Guaíra. Do lado materno, a referência era a determinação da jovem senhora, que substitui o tempo de aprender as primeiras letras pelo trabalho de cuidar da filha primogênita que nasceu dando-lhe muitos trabalhos devido a uma anomalia palatal cuja vida até um ano de idade esteve por um fio. Orações, velas e joelhos dobrados. Do lado paterno, a referência era a persistência, resistência e seriedade do jovem negro dos olhos verdes descendente de baiano que ele nem chegou a conhecer. Ter nascido dessa união tem um significado muito especial, que não pode ser traduzido por qualquer tentativa de racionalização sobre a minha história de vida. Contudo, a simples tentativa fortalece o sentimento de que o tempo passa, as pessoas mudam, mas as experiências que vão sendo vividas ao longo da vida, desde a mais tenra idade, compõem a nossa própria essência, condiciona e provoca os nossos sonhos, é referência para as nossas perspectivas. Pensando nessa história de vida a sensação é de que não deixei de ser ainda, a menina simples que usava meia de bolinha e corria de um pintinho que adorava bicá-las, adorava ler e ora sonhava ser bailarina, ora aeromoça, ora atriz de televisão. Com uma infância privada de grandes brinquedos e qualquer pedaço de pau ou embalagem num passe de mágica virava palhaço, boneca e que fazia das árvores esconderijo das artes que aprontava pra mãe ou quando queria fugir e ficar sozinha. A alegria não fazia parte com grande intensidade da minha infância, a anomalia me perseguia e me deixava com medo de tudo até que um dia descobri a chave do segredo pra enfrentar o medo e ninguém me chatear com apelidos e imitações grotescas. A chave desse segredo desenvolveu em mim o gosto por sonhar, produzindo novos sentidos, indo além do que as condições concretas de existência naquela época favoreciam. 2- A Chave Contei o tempo para chegar o grande momento mágico. Olhava com muito entusiasmo as crianças indo à escola, mas a minha magia acabou assim que cheguei lá. Não conseguia psicologicamente me libertar das amarras da anomalia e me deixava ser acorrentada pelas palavras e insultos. O primeiro ano teve que ser repetido, não conseguia acompanhar os demais. Até que um dia um amigo invisível que me acompanhava desde pequena nas minhas fugas me incentivou que deveria ser a melhor e mesmo com registros de um cotidiano escolar marcadamente conservador obtive muito sucesso. A ligação com os princípios tradicionais era evidente na postura dos professores que se limitavam em realizar exposições verbais dos conteúdos, nesse momento era terminantemente proibida qualquer desatenção ou conversa paralela, o silêncio era a principal regra que deveríamos obedecer depois de ordenados em fileiras nas salas de aula. Uma grande ênfase era dada à repetição, as rotinas de trabalho na sala de aula passavam pela leitura individual e em voz alta as lições do livro “Caminho Suave”. Nesses momentos, deixar de aplicar a entonação correta, a cada ponto ou vírgula, era motivo de interrupção brusca e correção impaciente da professora. Estudar matemática era frustrante, o que mais assustava era o dia da sabatina, para o qual os alunos tinham que ter decorado a tabuada. Cometer um erro, no momento em que a professora perguntava individualmente, era fatal. Tenho fortes recordações da separação da turma entre “fileiras dos sabidos” e “fileiras dos burros”. Até a oitava série, os valores tradicionais estavam presentes, os professores tinham uma postura autoritária, as aulas praticamente não se diferenciavam quanto à estrutura de apresentação de conteúdo e aplicação de exercícios, os conceitos e fórmulas deveriam ser repetidos e memorizados, o intenso controle disciplinar era constante tanto dentro quanto fora das salas de aula. Dedicar-se aos estudos, naquele momento, representava, em primeiro lugar a chance de ficar isento da “vergonha de não saber”, depois a busca da valorização atribuída pelo professor aos alunos que tivessem os melhores desempenhos e, por fim, significava entrar no jogo da competição entre colegas pelas melhores notas. Um dos momentos mais esperados era o resultado final e a aprovação para a série seguinte, quando um novo ciclo recomeçava. No turno oposto frequentava as pistas de corrida, onde eram realizadas atividades de salto de vara e várias outras atividades esportivas e participava das atividades do centro cultural do lago participando de peças de teatro e também bisbilhotava a biblioteca pública e lia tudo que via pela frente, mas dependia da capa e do resumo. Assim, passei a adquirir hábitos de observação, a desenvolver minha capacidade de imaginar e ter idéias num estalar de dedos e escrever meu futuro. 3- Mudança Foi um trauma deixar pra trás amigos, sonhos, centro cultural, minha árvore, mas meu pai precisava acompanhar a empresa que trabalhava. A escola do ensino médio na nova cidade foi um período de grandes novas conquistas. A cada novo dia, eu vivenciava diferentes relações, com uma grande diversidade de colegas nas atividades livres em diferentes espaços que também devem ser considerados como espaços de aprendizagem. Eram marcantes os momentos de reuniões formais ou informais como as que se realizavam no grêmio estudantil; os jogos e momentos de recreação nas quadras e no ginásio; a espera para o início das aulas nos bancos do jardim da escola; as atividades culturais realizadas no palco que ficava no pátio, na sala de estudos e biblioteca, onde os alunos faziam exercícios juntos, tiravam dúvidas entre colegas, onde circulavam provas aplicadas e resolvidas em semestres anteriores por outros colegas. 4- Artes Teatro, um sonho de criança. Com o término do ensino médio começou um período difícil, pois naquela época somente os filhos das pessoas mais abastadas financeiramente iam para a universidade. Foi insuportavelmente dolorido não cursar o nível superior, mas o tempo foi passando e o casamento, esposo e filhos preencheram o meu tempo até que resolvi começar novamente. O Curso de artes teatro veio ao encontro de todas as minhas necessidades psicológicas, pois o meu ninho se encontrava vazio na época do vestibular. A chegada na Unimontes de Montes Claros foi inesquecível me senti uma verdadeira universitária. As atividades vieram chegando devagarzinho pra não nos desanimar e os professores tutores sempre atentos as nossas ausências deixando mensagens dando um puxão de orelha daqui e dali. Houve momentos difíceis onde por muitas vezes pensei em desistir por acumular duas funções públicas, cumprir o papel de esposa, cumprir o papel de mãe dentre muitas outras preocupações, porém a força interior foi mais forte e soprava no meu ouvido dizendo “persistir sempre, desistir jamais”. Enfim vencemos! E quando digo vencemos me refiro também aos amigos que caminharam na mesma estrada compartilhando das mesmas dificuldades e tropeços. CONCLUSÃO Realizar este curso de artes teatro fez com que ampliasse a visão teatral na minha trajetória de vida e perceber os inúmeros benefícios que o Teatro traz para a minha vida pessoal e também para a vida dos educandos e a importância de inserir esta atividade na escola, pois a época atual exige um recriar, um repensar da educação com vistas a atingir uma prática pedagógica que propicie um ator social, livre, crítico, criativo e responsável pela criação de seu próprio mundo de vida e de trabalho. Sinto-me no dever de lutar por uma educação que apresente um programa de estudos e vivências com a atenção voltada muito mais para as integrações de significados do que para a mera acumulação de conhecimento, fomentando no educando a produção de sentidos e significados. Este curso de Licenciatura em Artes teatro veio reforçar ainda mais a minha concepção de que utilizar o teatro no processo de formação do adolescente, cumpre não só função integradora, mas dá oportunidade para que ele se aproprie crítica e construtivamente dos conteúdos sociais e culturais de sua comunidade mediante trocas com os seus grupos. No dinamismo da experimentação, da fluência criativa propiciada pela liberdade e segurança, o adolescente pode transitar livremente por todas as emergências internas integrando imaginação, percepção, emoção, intuição, memória e raciocínio. Durante o curso pude reviver uma parte da minha vida diante das atividades propostas nas oficinas de teatro e também com a interação com os alunos dos vários projetos que desenvolvemos nas escolas onde pude perceber que quando o educando interpreta um personagem ou dramatiza uma situação, revela uma parte de si mesmo, mostrando como sente, pensa e vê o mundo. Concluo que o teatro é o caminho para as escolas atingirem uma integração entre os sujeitos de forma criativa, produtiva e participativa, é um recurso pedagógico eficaz no desenvolvimento do educando preparando-o a discernir os problemas em que ele irá enfrentar na sua trajetória de vida, pois os adolescentes que fazem ou aprendem teatro ficam mais bem preparados para a multiplicidade de cenários que a vida quotidiana apresenta. Sendo assim para representar um papel, o aluno mesmo sem querer, representa e olha-se com cuidado e reflexão.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Governo sério cumpre a Lei, não espera anúncio

Governo sério cumpre a Lei, não espera anúncio

Republico matéria do site da C NTEinforma 606, 19/01/2012

A demora dos gestores estaduais e municipais em corrigir os vencimentos iniciais de carreira do magistério público da educação básica, à luz do piso salarial profissional nacional, não se justifica pelo fato de o MEC ainda não ter se pronunciado sobre o assunto. Na verdade, a atitude caracteriza o descumprimento de direito líquido e certo do magistério em ver atualizados seus vencimentos de carreira, a partir de janeiro de cada ano, e enseja a existência de categoria privilegiada na esfera do direito, o que é inconcebível diante do princípio de que ninguém pode escusar-se de cumprir a Lei alegando desconhecê-la.
Depois de terem sido derrotados no Supremo Tribunal Federal, governadores e prefeitos têm se rebelado contra a decisão de mérito proferida na ADIn 4.167, que ordena o cumprimento integral e imediato da Lei 11.738, não obstante pender o julgamento dos embargos de declaração interpostos pelos autores da ação de inconstitucionalidade.

Enquanto milhares de cidadãos comuns são obrigados a cumprir as decisões da justiça, o que acontece com prefeitos e governadores que insistem em desrespeitar as deliberações judiciais? Isso é o que veremos a partir da greve nacional da educação!

Sobre a atualização do piso nacional, o art. 5º da Lei 11.738 claramente vincula o índice do PSPN ao mesmo que reajusta o valor mínimo do Fundeb, ano a ano. Em lugar algum se exige o pronunciamento de órgão federal, tendo sido esta uma opção adotada pelo MEC para tentar unificar o cumprimento da Lei.

Para o ano de 2012, conforme defende a CNTE, o piso deve ser de R$ 1.937,65. Contudo, desde 2010, a maior parte dos estados e municípios tem optado em seguir as recomendações do MEC, que para este ano indicam um crescimento de 22,22% sobre o valor de 2011, atingindo assim a cifra de R$ 1.450,75.

Para quem não tem cumprido as regras do Piso, a CNTE recomenda a seus sindicatos filiados que ingressem com ações judiciais para cobrar o imediato e integral cumprimento da Lei 11.738, com destaque para o passivo do piso – contrapondo as orientações do MEC – e para a aplicação do percentual de 1/3 da jornada de hora-atividade, conquistado recentemente na justiça pela Apeoesp e pela Fetems/MS.

Confira, abaixo, a memória de cálculo sobre as atualizações dos valores do PSPN, nas visões da CNTE e do MEC.

PSPN/CNTE

Ano Valores PSPN Reajustes Fundeb (base: ano a ano) Atos normativos que definiram valores mínimos do Fundeb
2008 R$ 950,00 0% Valor de referência aprovado pelo Congresso Nacional
2009* R$ 1.132,68 19,23% Portaria Interministerial nº 1.027/2008 – R$ 1.132,34
Portaria Interministerial nº 221/2009 – R$ 1.350,09
2010 R$ 1.313,12 15,93% Portaria Interministerial nº 788/2009 – R$ 1.221,34
Portaria Interministerial nº 1.227/2009 – R$ 1.415,97
2011 R$ 1.598,20 21,71% Portaria Interministerial nº 538-A/2010 – R$ 1.414,85
Portaria Interministerial nº 1.459/2010 – R$ 1.722,05
2012 R$ 1.937,65 21,24% Portaria Interministerial nº 1.721/2011 – R$ 1.729,28
Portaria Interministerial nº 1.809/2011 – R$ 2.096,68

(*) Mantido o valor mínimo do Fundeb, à época da crise mundial, o qual deveria ter sido assegurado através da complementação federal aos Fundos da Educação Básica e da compensação da União, a estados e municípios, por meio das Medidas Provisórias nº 484/2010 e nº 485/2010, que não resultaram em repasses para os salários dos educadores.

PSPN/MEC

Ano Valores PSPN Reajustes Fundeb
(base: 2 anos anteriores) Atos normativos que definiram valores mínimos do Fundeb
2008 R$ 950,00 0% Valor de referência aprovado pelo Congresso Nacional
2009 R$ 950,00 0% Interpretação do MEC à liminar do STF na ADIn 4.167
2010* R$ 1.024,67 7,86% Portaria Interministerial nº 173/2008 – R$ 1.137,30
Portaria Interministerial nº 788/09 – R$ 1.221,34
2011 R$ 1.187,00 15,84% Portaria Interministerial nº 788/09 – R$ 1.221,34
Portaria Interministerial nº 538-A/10 – R$ 1.414,85
2012 R$ 1.450,75 22,22% Portaria Interministerial nº 538-A/10 – R$ 1.414,85
Portaria Interministerial nº 1.721/11 – R$ 1.729,28
2013* R$ 1.758,89 21,24% Portaria Interministerial nº 1.721/11 – R$ 1.729,28
Portaria Interministerial nº 1.809/2012 – R$ 2.096,68


(*) Descontado o rebaixamento do valor mínimo do Fundeb decorrente da crise mundial.
(**) Previsão com base no parecer da AGU/MEC, à luz do valor mínimo divulgado para o ano de 2012.