quarta-feira, 20 de outubro de 2010

AMOR INCONDICIONAL

Há muito tempo atrás, um certo casal morava em uma casinha humilde de madeira. Tinham uma vida muito tranqüila, alegre, ambos se amavam muito e eram realmente felizes, apesar de não terem conseguido realizar o sonho de ter filhos. Um dia aconteceu um acidente com a senhora, que era uma mulher muito bonita. Ela estava trabalhando em casa quando começa a pegar fogo na cozinha e, na tentativa de apagá-lo, as chamas atingiram todo o seu corpo. O esposo acorda assustado com os gritos e vai à sua procura. Quando a vê envolta pelas chamas, tenta ajudá-la e as labaredas também lhe atingem mas, mesmo se queimando todo, consegue apagar o fogo.
Quando chegaram os bombeiros, já não havia mais fogo, apenas fumaça e parte da casa destruída. Levaram rapidamente o casal para o hospital mais próximo, onde foram internados em estado gravíssimo. Aquele senhor, um pouco menos atingido pelo fogo, saiu da UTI uns dias antes do que sua esposa e foi ao encontro de sua amada. A senhora, toda queimada, pensava em não viver mais, pois estava bem deformada. Ela foi logo falando:
- Tudo bem com você, meu amor?
- Sim, respondeu ele, mas pena que o fogo atingiu os meus olhos e eu não posso mais enxergar... Mas fique tranqüila, meu amor, que a sua beleza estará gravada em meu coração para sempre! E o resultado daquele tragédia poderia ter sido ainda pior, não é mesmo?
Então, triste pelo esposo, refletiu:
- Puxa vida... Deus, diante de tudo o que aconteceu a meu marido, ainda tirou-lhe as vistas para que não presencie esta deformidade em que eu me transformei! As chamas queimaram todo o meu rosto e estou parecendo um monstro...
Depois de algum tempo, já recuperados das queimaduras, voltaram para casa, esforçando-se para se adaptarem à nova rotina de forma bastante positiva. O tempo foi passando e seu esposo continuava a dizer-lhe, todos os dias: "Como eu te amo!" E assim conviveram até que aquela senhora veio a falecer. No dia de seu enterro, quando todos se despediam, então veio ele sem seus óculos escuros e, com a bengala na mão, chegou perto do caixão. Beijando o rosto e acariciando sua amada, disse em um tom apaixonado:
- "Como você é linda, meu amor, eu te amo muito!"
Vendo aquela cena, um amigo que estava ao lado perguntou se o que tinha acontecido era um milagre. Olhando nos olhos dele, o velhinho apenas murmurou:
- "Nunca estive cego, apenas fingia, pois quando a vi toda queimada, sabia que seria muito difícil para ela viver daquela maneira!"
Eles haviam vivido sempre muito felizes e apaixonados por mais vinte anos depois daquele episódio do incêndio.
Essa história nos ilustra, além da beleza de um amor absolutamente incondicional, que é possível reconstruirmos nossa vida, deixarmos de ser vítimas dos infortúnios e nos tornarmos os autores da nossa própria história. "Pedras no caminho"? Guardo todas. Elas me servem de escada para um patamar superior em minha vida.